(27/07/2010) - A Prefeitura de São Paulo admitiu ontem que terá de fazer mudanças no projeto da Zona Azul Vertical, que prevê a construção de 64 edifícios garagens na cidade. Sem as alterações a proposta pode esbarrar no quesito “custo”.
Pelo menos uma das empresas que se dispôs a fazer estudos desse projeto diz que o investimento seria alto demais para valer a pena. O Executivo diz que é preciso “compatibilizar” seus planos com os interesses privados e anunciou que a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho vai entrar no processo para encontrar uma solução economicamente viável.
A Prefeitura busca manter o número inicial de garagens, que garantiria mais 25 mil vagas de Zona Azul para carros e motos nas áreas centrais de São Paulo. Com isso, as ruas ficariam livres para o trânsito de carros. A política de liberação de ruas para o trânsito já extinguiu 7.851 vagas gratuitas na cidade desde agosto do ano passado.
Em novembro do ano passado, a Prefeitura convocou empresas interessadas em fazer estudos técnicos e financeiros que permitissem a execução da proposta. Três empresas se interessaram. Os estudos foram entregues em 26 de abril e ainda estão em análise.
A Multipark – uma das maiores redes de estacionamento do País, que participa do processo em consórcio com a empresa europeia Empark – é quem diz que o projeto pode não dar certo. A empresa analisou apenas uma região da cidade, o Itaim-Bibi, na zona oeste e, segundo o diretor Rubens Jorge Taleb, as garagens verticais custariam R$ 140 milhões (contanto as desapropriações de imóveis, os investimentos em tecnologia e a construção dos edifícios-garagens).
Mesmo com 30 anos de concessão dos estacionamentos, como prometido pela Prefeitura, não seria possível recuperar o investimento, segundo Taleb.
Mas a Multipark diz ter entregue, junto com a proposta, um plano alternativo. No lugar dos edifícios indicados pela Prefeitura, garagens subterrâneas – que precisariam de menos desapropriações de terrenos.
“O ‘plano B’ teria custo de R$ 90 milhões”, afirma o empresário. E, aí sim, seria viável economicamente, diz Taleb. Mas as garagens teriam menos vagas do que o solicitado pela Prefeitura.
O JT procurou as outras empresas que estão no certame. A Contern (construtora do Grupo Bertin, conglomerado que tem desde empresas do setor alimentício a de áreas como infraestrutura e energia) disse que atendeu ao chamado da Prefeitura e que só iria se manifestar após o fim do processo.
Já a outra empresa, a ParkTec Tecnologia, não foi localizada. Ela não é inscrita na Junta Comercial de São Paulo nem tem site na internet. Seria representante no Brasil de um grupo americano de sistema de automação, como parquímetros eletrônicos.
O valor da vaga na Zona Azul Vertical seria de até uma vez e meia o valor da Zona Azul comum, que hoje custa R$ 3 e vale por uma hora.